Cocriador do Raspberry Pi cogita produção no Brasil em 2014

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Cocriador do Raspberry Pi cogita produção no Brasil em 2014

Pete Lomas diz que País tem “excelente capacidade industrial” e poderia distribuir o computador de US$ 35 para a América do Sul

​Um dos criadores do Raspberry Pi acredita que o Brasil tem potencial para ter uma fábrica do o computador de US$ 35, e se tornar distribuidor para a América do Sul. Em entrevista exclusiva ao Terra, Pete Lomas, também diretor de Engenharia de Sistemas na Norcott Technologies, na Inglaterra, afirmou que sua visita ao País, além da participação na Campus Party Brasil, no início do mês, quer também fazer contato com representantes do governo para viabilizar uma maior participação do mercado brasileiro.

Hoje, os clientes daqui correspondem a algo entre 1% e 2% do total de consumidores do Pi. “Não sabemos quantos computadores estão no Brasil, porque muitas pessoas compraram em outros países e trouxeram”, pondera Lomas. O problema de produção e distribuição que a Raspberry Pi Foundation enfrenta, com uma demanda muito maior do que a prevista, também atrapalha. “A fábrica de País de Gales produz de 4 mil a 5 mil Pis por dia, e eles esgotam no mesmo dia em que chegam aos distribuidores”, explica. Desde o lançamento, em janeiro de 2012, já foram mais de 750 mil unidades vendidas.

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Rasperry Pi é um computador voltado à educação com custo de US$ 35
Foto: Janete Longo/Consulado Geral Britânico de São Paulo / Divulgação

No Brasil, o computador de US$ 35 esbarra ainda em outra situação: o custo de importação. Em vez de sair por R$ 70, valor aproximado apenas com a conversão do câmbio, o Raspberry Pi custa em torno de R$ 170. “Entendemos porque o governo brasileiro tem essa política de impostos, mas é triste que o Pi fique sob o mesmo guarda-chuva de computadores normais, considerando as coisas especiais que ele pode fazer e como incentiva a inovação”, defende Lomas.

O Raspberry Pi foi concebido como um computador de baixo custo para que crianças pudessem aprender programação antes de entrar na universidade, onde os professores sentem que os jovens entram “muito crus”, na definição do diretor britânico. Mas o projeto foi ampliado e concebido como uma ferramenta mais ampla de educação. A ideia é que, por ser barato, os aprendizes possam ser mais ousados, sem medo de estragar algo que teve alto investimento.

Impostos primeiro, fábrica depois

Lomas quer encontrar com representantes do governo brasileiro para negociar uma forma de diminuir o preço do Raspberry Pi no Brasil – o baixo custo é o principal atrativo da máquina -, e assim aumentar a penetração do equipamento no País. Uma das possibilidades é viabilizar uma categoria especial de tarifa de importação para o Pi, como outras empresas já têm, por ser um item para o desenvolvimento da educação. O problema, segundo ele, é que essa “educação” a que a Raspberry Pi Foundation se refere vai além das escolas. “Focar apenas em centros de ensino foge um pouco do nosso objetivo”, pondera.

Outra possibilidade seria a produção do Raspberry Pi em solo verde-amarelo. “Quando tivemos uma demanda maior que a esperada (em 10 mil, que na prática foi de 200 mil), conseguimos resolver questões de produção alavancando com a China. Agora, conseguimos estabelecer uma fábrica com a Sony no País de Gales.” O próximo passo poderia ser o Brasil. “Mas levamos seis meses e meio ‘em casa’, então para fazer algo assim no Brasil levaríamos, quem sabe, doze meses”, estima, ponderando que, por isso, a expectativa é ter outra solução, em breve, e trabalhar passo a passo para uma planta nacional. “Sabemos o que o Brasil tem uma excelente capacidade industrial, e poderia até ser o distribuidor para a América do Sul”, diz.

Além do tempo que demoraria para se estabelecer no Brasil, a fundação precisa, primeiro, conseguir elevar a capacidade de produção a ponto de conseguir exportar o Pi, continua Lomas. Um terceiro problema é que, como a demanda superou a expectativa, a Raspberry Pi Foundation buscou investimentos e assinou contratos com indústrias britânicas garantindo exclusividade a elas. “Vamos honrar esses compromissos, mas podemos tentar negociar com eles”, cogita. “Essa é minha primeira viagem ao Brasil, mas não será a última”, garante.

Educação, emprego e renda

Lomas é reticente em considerar o Brasil como uma prioridade no plano de expansão da Raspberry Pi Foundation. “Não temos um mapa determinado de ação, aproveitamos as oportunidades que aparecem. Eu estou aqui, o Evan (Upton, outro cocriador) está nos Estados Unidos. Mas como organização não podemos ignorar o quanto um país como o Brasil poderia se beneficiar (do computador de baixo custo). Imagine apenas aqui em São Paulo… Não posso dizer que é uma prioridade, mas com certeza estamos ávidos (por uma presença maior)”, conclui.

“Acreditamos que, como tempo, o Raspberry Pi vai trazer força e capacidade de inovação”, diz Lomas, que aposta no computador como ferramenta para elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País. O britânico entende que o potencial educativo implica também em geração de emprego e renda. “A pessoa pode criar um aplicativo e vendê-lo a R$ 0,30 e um milhão de pessoas baixarem”, exemplifica.

​​Apoio do governo britânico

O cônsul geral britânico em São Paulo, John Doddrell, afirmou ao Terra que, para o Reino Unido, o Brasil é, sim, uma prioridade. O Raspberry Pi é um dos projetos do país eurpopeu incluídos em um plano de cooperação especial que começou em setembro e vai até março deste ano. “Vamos mostrá-lo aos brasileiros, e quando eles reconhecerem o potencial que há de benefícios para o País, vão reconsiderar as políticas”, acredita.

Na primeira participação do governo britânico na Campus Party Brasil, o Reino Unido já marcou “forte presença”, na visão do cônsul. Na ocasião, Doddrell encontrou-se com representantes da prefeitura de São Paulo. Segundo ele, a intenção do governo britânico é estreitar relações com o brasileiro e fomentar a colaboração e a parceria entre as duas nações em campos como educação, cultura e negócios. “A Grã-Bretanha e o Brasil podem se beneficiar muito dessas parcerias”, disse o cônsul, reforçando semelhanças entre as duas nações no sentido da forte “inovação e criatividade”. “Há outras empresas (do Reino Unido) que querem entrar no Brasil e enfrentam problemas com a tarifação daqui, então teremos uma equipe focada em ajudar nesses assuntos”, detalha.

Neste ano, a Campus Party Europe será realizada em Londres.

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